Mais de 25 Anos de Música Eletrônica

Dance Floor Klatu Barada Niktu Club SP
Dance Floor Klatu Barada Niktu Club SP
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Dance Floor Klatu Barada Niktu Club SP
Havia umas cangas e umas mandalas flúor que deixavam tudo muito lindo! Decoração com velas e incensos deixavam tudo irresistível.

Em 1996, uma amiga me apresentou em uma fita no walkman, o Techno.
Eu tinha 14 anos, mas sempre fui muito ligado à música e achei aquilo incrível. A música me hipnotizou com seus elementos repetitivos e metálicos.

Mesmo sendo muito novinho, quase pré-adolescente ainda eu já saía para barzinhos e boates noturnas e a primeira que conheci foi a Nation da praça Roosevelt. Lógico que eu não podia entrar, mas a hostess foi com a minha cara e lá descobri que tocava este lindo estilo musical que eu tinha conhecido ouvindo a fita da minha amiga. Imagina minha emoção em ouvir o Techno bem alto pela primeira vez e além do mais com o jogo de iluminação estroboscópica da pista de dança, certamente fui ao delírio.
E nem posso dizer que eu simplesmente amei o visual das pessoas que se vestiam de forma extravagante e bem colorida, com muito brilho, espacial. Eram os clubbers!

Depois conheci o club Alôca, o qual eu frequentava e estava despontando como um dos maiores clubs underground de música eletrônica do país. Gostava muito da Alôca, pois além de ser um lugar LGBT, sigla a qual nem existia pois era GLS (gays Lésbicas e Simpatizantes) que era usada, também tocava Techno. Eu fui tanto na Alôca que até saí no livro ‘’Tragam Os Cavalos Dançantes’’ de Lufe Steffen sobre o projeto de Rock da casa e que foi escrito com os relatos dos frequentadores, ou seja, falo bastante neste livro sobre a cena… Esse projeto, o Grind, também tocava muito eletrônico alternativo, e obviamente dei minha contribuição ao apresentar o Trance anos mais tarde, como DJ convidado.

Tragam os Cavalos - Lufe Steffen
Tragam os Cavalos – Lufe Steffen

Meu primeiro contato com o Trance foi em 1998, eu tinha 16 anos e fui a casa de um amigo que era gerente do club Alôca.

Na visita, meu amigo disse: – Como sei que você gosta de Techno, tenho um novo estilo musical para te apresentar… Quando ele apertou o play e eu comecei a ouvir aquela música alucinante, eu simplesmente não acreditei. Tudo que eu imaginava que poderia ser melhorado no Techno estava ali. A música era menos pesada, muito mais viajante, por ser menos repetitiva, tinha muito mais melodia, e era extremamente futurista. Instrumentos mais sintéticos, e distorções que eram mais importantes que as batidas formavam uma atmosfera de transe espiritual.

Ele me disse: – esse novo estilo musical chama Goa, pois vem de um lugar chamado Goa, na Índia e aqui no Brasil está sendo tocado em festivais de música eletrônica que são realizados na natureza, chamados rave.

Já dá pra imaginar a minha vontade de ir para um festival desses, né. Só que na época estava tudo começando, não havia celular e a única forma de chegar num evento desses era apenas com o flyer de papel que continha mapa e instruções e com automóvel próprio, pois não havia excursões. Quase ninguém sabia das raves e era um movimento um tanto quanto secreto, para evitar que a polícia descobrisse.

Como eu era muito novinho e não tinha carro, o jeito era pegar carona, mas eu não
conhecia ninguém além de mim que sabia do movimento.

Flyer Rave Avont's 3 Anos

No ano seguinte conheci algumas pessoas que gostavam e fui para a minha primeira rave, a Mega Avonts. Essas raves tinham um pista maior de Techno e uma pista alternativa menor, que era a de Trance/Goa.
Óbvio que eu fique na pista de Goa, pois gostava mais do som, que parecia uma hélice, eu dizia. Risos…

Logo Klatu Club SP

Enfim, fiquei sabendo que além das raves existia uma balada secreta de Trance indoor. Era o Klatu Barada Nikto, escondida num porão da Rua Augusta. Foi um sacrifício para descobrir onde conseguir o convite, mas fiquei sabendo que era divulgado na Glow, um trance shop que se localizava na Galeria Ouro Fino, o pólo de comércio de roupas e artigos que o pessoal usava na noite. Quando descobri o endereço e a noite que tinha a festa, fui finalmente pela primeira vez e quase não acreditei de novo em ouvir o tipo de música que eu mais gostava em alto e bom som e com aquele ambiente cheio de luz negra, onde tudo era flúor.

Havia umas cangas e umas mandalas flúor que deixavam tudo muito lindo! Decoração com velas e incensos deixavam tudo irresistível. As pessoas tinham um visual mais tribal, com dread-locks, mais hippies, mas com bastante elemento fluorescente também.

Dance Floor Klatu Barada Niktu Club SP
Dance Floor Klatu Barada Niktu Club SP

Depois desta noite, comecei a ir todas as quintas-feiras para o Klatu Barada Nikto, pois rolava todas as quintas. Batia o cartão, então! E lá que comecei a conhecer melhor o movimento, as pessoas, ir para mais raves, gravar mais músicas em fita para meu acervo pessoal, e desde então nunca mais deixei de frequentar e me inspirar por este movimento.

Presenciei todas as transformações pelo qual o movimento passou, desde quando deixou de tocar Goa e passou a tocar o novo estilo ‘’psytrance’’, o surgimento do termo fullon, até os dias de hoje, 2020, em que há a guerra de vertentes e a consequente diversidade que o movimento atraiu.

Posso afirmar que dá saudade vivenciar tudo como fazíamos antigamente, mas os tempos mudam, tudo evoluiu. A única coisa que desejo é que o movimento não se descaracterize ao ponto de não mais o reconhecermos como um movimento de paz, amor e beleza. Que a guerra de vertentes não faça com que a melodia inicial se perca com farofas feias e danças desajeitadas, mas que essa melodia se eternize não só nas vertentes principais, mas também em todas as vertentes que foram criadas e as que ainda vão surgir.

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