Respiração Holotrópica: Induzindo um Estado Psicodélico sem Psicodélicos

Respiração Holotrópica: Induzindo um Estado Psicodélico sem Psicodélicos

1 de abril de 2021
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ÍNDICE

Respirar, um ato cotidiano automático, mas vital. Passamos a maior parte do tempo sem perceber que estamos respirando, e como estamos respirando. Ocupados e entretidos nos processos da mente, mal nos damos conta da inteligência corporal, que cuida sozinha desse processo fantástico e vital. Mas bastam alguns poucos segundos sem ar, e a vitalidade do processo se torna instantaneamente óbvia.

Em contextos científicos, respirar é definido como o processo de inalar e exalar o ar, durante o qual ocorre a troca de moléculas gasosas entre o corpo e o meio ambiente – nós captamos mais oxigênio e exalamos mais gás carbônico por exemplo, enquanto plantas fazem o oposto.

Mas em contextos mais amplos, atribuímos à palavra respirar inúmeros outros significados, como de sentir alívio, de descansar, repousar, ou de exprimir, manifestar e revelar: “tudo aqui respira alegria.”

O outro lado da moeda é a falta de ar, que é associada a coisas ruins, ao desconforto, sufoco, pânico, desentendimento e morte.

Esta breve reflexão nos leva a um lampejo de uma realização profunda que é explorada sistematicamente por várias culturas faz milênios. O ato de respirar é central em toda nossa fisiologia e psique. E diversas técnicas foram desenvolvidas, desde as mais simples, praticadas por qualquer um em momentos de desalento – “calma, respira!” – até outras mais sofisticadas, como os exercícios de pranayama da yoga e as várias técnicas respiratórias que formam um dos pilares centrais das práticas meditativas.

Ao focar na respiração, e voluntariamente modificá-la, aprofundando, acelerando ou lentificando, ou até mesmo parando por determinado período, podemos exercer efeitos em nossa psique. Até mesmo quando o objetivo não é esse, o resultado aparece: mergulhadores sentem com frequência os efeitos relaxantes e de abertura da mente enquanto estão de baixo d’água, mesmo que não se dêem conta de que estão, de certa forma, meditando, pois a concentração na respiração tem que ser intensa.

Atenção na respiração foi uma das brilhantes sacadas de Stanislav Grof, psiquiatra Tcheco que vive nos EUA, ainda nos anos 60. Grof foi o último pesquisador a encerrar suas pesquisas com substâncias psicodélicas após a proibição, que começou a vigorar nos EUA no fim dos anos 60. Após este baque, que encerrou o que alguns ainda consideram “a era de ouro da psiquiatria”, Grof passou por um período de reavaliação de suas descobertas e rumos profissionais: ele conduziu milhares de sessões terapêuticas com LSD e arquivou uma infinidade de papéis e documentos sobre seus pacientes – e também mais alguns milhares fornecidos por seus de colegas.

Essa revisão transcorreu ao longo de alguns anos, durante os quais Grof participou e organizou seminários inéditos e únicos no Instituto Esalen, na Califórnia. Interessados no fenômenos da consciência de maneira ampla e não-reducionista se encontraram periodicamente em um local telúrico. Monges, cientistas, médicos, gurus, mestres de artes marciais, artistas, cientistas, empresários, exploradores etc. Todos reunidos com a finalidade de explorar, aprender e desenvolver novas técnicas para a vivência segura dos estados extra-ordinários de consciência.

Um dos resultados desta jornada foi a criação, por Stan Grof e sua esposa, Christina Grof, da técnica de Respiração Holotrópica. É uma abordagem de autoexploração e terapia, que pode ser vivenciada em sessões particulares, mas mais comumente é praticada em grupo. Os participantes formam duplas. Enquanto um “respira”, o outro cuida. E a equipe treinada fica de prontidão, circulando pela sala, atendendo os casos de necessidade, conforme vão surgindo. O respirar aqui não é o respirar automatizado e inconsciente do dia a dia. É um respirar focado, atento, consciente. Respira-se profundamente e aceleradamente, deitado em um colchonete, de olhos fechados ou vendados.

 

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