O Livro do Ego - Osho - PDF Download

O Livro do Ego – Osho – PDF Download

5 de agosto de 2021
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ÍNDICE

O Livro do Ego
Osho
Introdução
– A O ego é um icebergue. Derreta-o. Derreta-o com amor profundo, para
que desapareça e se torne parte do Oceano.
– A simplicidade não é um desafio à altura do ego; ao contrário da dificuldade
e da impossibilidade, que representam o desafio supremo.
– A dimensão do ego é mensurável e pode ser conhecida através da
dimensão dos desafios que aceitamos.
– A simplicidade representa a morte do ego.
– O Homem aspira a ascender hierarquicamente em tudo o que se envolve.
– A própria psicologia está orientada de forma a fortalecer o ego.
– Os psicólogos empenham-se a demonstrar que o Homem precisa de
construir um ego forte.
– Assim, a educação é um programa que serve para nos tornar ambiciosos
através da dicotomia do castigo e recompensa, conduzindo numa
determinada direcção.
– Os pais condicionam os filhos a pensar que, acaso não se consigam afirmar,
serão inúteis.
– O homem simples é visto como um simplório inútil. A simplicidade nunca foi
um objectivo da sociedade, nem pode ser um objectivo porque todos
nascemos simples!
– As crianças são simples, mas cedo são corrompidas pelas ideias dos pais,
professores, padres e políticos.
– Todos fazem questão de enfatizar o que uma pessoa deve ser ou não.
– Somos um ser, não precisamos de nos tornar noutra pessoa, que é um
interminável caminho.
– O Homem nunca disse: “cheguei ao ponto mais alto da minha vida” porque
o Homem anda sempre em círculos.
– Há sempre alguém superior a nós.
– A vida é multidimensional. É impossível ser melhor em todas as direcções.
– O ego é a doença do homem.
– Devemos estar à vontade com nós mesmos e aceitar o nosso próprio ser.
– “Tornar-se alguém” é a doença, e “ser” é a saúde.
– O ego não passa de uma fantasia.
– A morte chega sempre antes da realização do ego.
1. O EGO
O que é o ego
– O ego é o oposto do verdadeiro ser. Nós não somos o ego.
– O ego é uma ilusão criada pela sociedade.
– Quando nascemos éramos um ser autêntico, mas foi criado um falso ser a
partir daí.
– Em torno de um nome erguem-se ambições e condicionamentos.
– O ego alimenta o desejo e a vontade de ser o primeiro em tudo.
– Os que procuram a verdade têm de começar a ignorar o que a sociedade
lhes foi dizendo.
– Ninguém sabe nada sobre nós, tudo que disseram sobre nós é falso.
– Escolher o ego é escolher frustração, sofrimento e tristeza.
– Recuperar a inocência é escolher paz, silêncio e felicidade.
As Crianças não nascem com ego
– As crianças não nascem com ego, o ego é incutido.
– Os bebés nunca dizem “Estou com fome”, mas sim “o João tem fome”
– Não têm qualquer noção do eu.
– A denominação do “eu” marca o início do funcionamento de uma energia
distinta.
– Esse “eu” quer crescer, quer engrandecer.
– Quer subir cada vez no mundo das hierarquias.
– Não têm qualquer noção do eu
– A denominação do “eu” marca o início do funcionamento de uma energia
distinta.
– Esse “eu” quer crescer, quer engrandecer
– Quer subir cada vez mais no mundo das hierarquias
– Todos os esforços são feitos no sentido de atingir um estatuto superior
– Vivemos na senda de um sonho, que torna o “eu” cada vez maior
– O ego humano é a origem de todos os problemas
– A comparação contínua face a terceiros gera sentimento de falhanço e
mágoa
– Milhões de coisas nos podem magoar, mas não são essas coisas, mas o
ego.
– O ego treme constantemente de medo porque tem consciência do artifício
que é.
– O ego manifesta-se através de vários jogos. Todos os jogos, são jogos do
ego.
– Todos se esforçam por subir na vida, os demais para fazer tropeçar quem
tenta subir.
– O ego foi incutido pela sociedade e professores.
– O ego é a maior de todas as mentiras. O ego prende as pessoas a uma
espera constante.
– O ego não sente alegria no presente, porque apenas existe no passado e
no futuro, que não existem.
– O ego só existe na não-existência.
A noção de um centro separado é a raiz do ego
– Quando a criança nasce não possui um centro próprio, está unida.
– Na nossa profundeza não somos individual: somos Universal.
– O nosso nome não passa de uma ficção. Quando chegámos ao mundo não
tínhamos nenhum nome.
– Mas o nome é uma ficção útil e necessária.
– Ao mergulharmos profundamente na nossa existência, tanto o nome como
a noção do “eu” desaparecem.
Funcionamos constantemente através do ego, ou existem momentos
em que nos libertamos dele?
– Sendo o ego uma ficção, há momentos que nos conseguimos libertar.
– Uma ficção exige manutenção constante porque está constantemente a
ruir.
– Toda a vida as pessoas aproximaram a ficção da verdade.
– O ego de um mendigo é frágil porque não tem dinheiro que o fortaleça.
– Tudo que fazemos na nossa vida é como escrever na água.
– Mas mesmo assim continuamos a erguer castelos nas nuvens.
– O sono profundo e isento de sonhos é uma morte menor.
– Sushupti – sono isento de sono.
– O sono é muito valioso, não devemos menosprezar.
– O sexo, o amor, é a segunda maior fonte de experiências destituídas de
ego.
– Mas tem sido destruída pelas condenações dos padres.
– No climáx mais alto do sexo, convertemo-nos em energia pura,
desaparecendo o ego.
– O tantra optou pelo caminho mais curto, e agradável! Ao contrário do ioga.
– Os padres são mediadores entre Deus e nós, por isso o seu poder.
– O cientista tomou o lugar do padre, pois descobre formas de alcançar o
poder oculto das forças da Natureza.
– O padre liga as pessoas a Deus, o cientista liga as pessoas à Natureza.
– O padre antes de ser mediador tem de quebrar as ligações individuais e
privadas com Deus.
– O padre ganhou poder, as pessoas perderam amor e vida e encheu-se de
sentimentos de culpa.
– Deus não nos enviou para um mundo sem chaves.
– O ego tem de ser reconhecido insistindo em estados de fusão com a
existência.
– Em momentos de grande perigo o ego desaparece por sua conta.
– Sempre que o perigo se acerca a mente pára.
– A mente só funciona quando não existe perigo. O perigo torna-nos
espontâneos.
– Mas as pessoas são diferentes, e este fenómeno pode acontecer noutras
circunstâncias que não situações de perigo (p.e. apreciar a beleza da
Natureza)
– Graças a estes momentos a religião ainda não morreu.
Existem 3 “entidades” dentro de si
1ª Entidade – Personalidade, o ego
– Personalidade = per + sona (através da máscara + som)
– Sobrepomos várias máscaras, como as camadas de uma cebola
– Retirando uma máscara, surge sempre outra. Tantas!
– Já as coleccionamos há muito tempo, todas se revelaram úteis, pois
precisamos de mudar constantemente.
– A 1ª entidade foi atribuída pela sociedade, a política, o padre, os pais e os
pedagogos.
– As máscaras são tantas e mudam tão rapidamente que acabamos por
perder a confiança em nós mesmos.
– Não sabemos qual a nossa verdadeira face, porque nenhuma é
verdadeiramente nossa.
– Nascemos como Buda e vivemos uma mentira.
– As máscaras foram impostas por outrens, nem sequer perguntaram ou
pediram opinião. Foi imposta violentamente e à força.
– O mundo não nos é exterior. Nós somos o mundo. Onde formos,
continuaremos a ser quem somos.
– A verdadeira mudança é interior. Melhorar a nossa vida também é uma
mentira.
– Quanto mais bela a personalidade mais difícil largá-la.
– A transformação está em abandonar por completo a personalidade e não
em insistir no seu aperfeiçoamento.
– A mentira não se pode tornar verdade. A própria busca da verdade também
advém da mentira.
– A verdadeira exploração não é económica ou política, mas sim psicológica.
– Ser explorado psicologicamente é não poder ser autêntico.
– Só respeitamos os papéis que as pessoas assumem.
2ª Entidade – O corpo material, o animal de cada um
– É a parte reprimida, instintiva e inconsciente.
– Revela-se em situações em que perdemos o autocontrolo
– Esta identidade é mais autêntica, e não é falsa.
– As religiões condenam a nossa herança selvagem como a origem de todo o
pecado.
– É mais profunda mas não abaixo do consciente.
– Não há nada de errado com o que é selvagem.
– O Homem foi o único animal afectado pela anormalidade.
– Invejamos a felicidade das crianças por isso condenamos a infantilidade.
– O adulto está congelado, estagnado e moribundo, arrasta-se em vez de
viver.
– Devemos juntar-nos à 2ª entidade, mas não é a última.
3ª Entidade – É a face original, a verdadeira
– É o nível de Buda, a consciência pura e una.
– A 1ª entidade é social, a 2ª natural, a 3ª divina
– A face social não é inútil, nem a face natural, mas é preciso que a 3ª exista,
é preciso manter o contacto com a fonte, com as raízes.
– A fonte tem de ser encontrada Aqui e Agora.
2. Os Ideiais
– Olhar para a realidade e não nos determos em tradições e no passado.
– As consolações foram oferecidas à humanidade.
– As palavras de apoio servem de pouco e foram concebidas para consolar e
enganar.
– Escutar exclusivamente o que a realidade tem para nos dizer.
– Reage! Faz algo pata o “combater”! Há sempre algo que pode ser feito!
– Olha para o problema e não procures soluções no exterior.
– Observando directamente o problema obterás sempre resposta.
– Observa bem a questão e não pessas (?) respostas.
– Senta-te em silêncio e pergunta “Quem sou eu?”. Deixa que a questão
ecoe dentro de ti como um piercing em forma de flecha apontado ao
coração.
– Não te apresses a responder. Não procures respostas na memória, esta é
emprestada.
– As pessoas gostam de dar os seus conselhos.
– Os conselhos nunca são aceites.
– Consolar é simplesmente adiar.
– A realidade não pode ser evitada. Teorizar não serve de nada.
– A vida que vives é só tua e tem de ser vivida por ti.
– Trata de ser único, original, individual… ser tu próprio.
– Em cada problema que te assola, esconde-se uma solução.
– O problema é uma semente.
– Tudo te é oferecido: a pergunta e a resposta; o problema e a solução, a
ingorância e o conhecimento. Basta olhar para dentro.
Muitas pessoas procuram o poder e o prestígio em vez de serem
simples seres humanos
– Nunca foste aceite na tua verdadeira essência pelas pessoas (pais,
professores, vizinhos e sociedade)
– Todos tentam fazer de ti alguém melhor.
– Todos apontam os pontos negativos e não os positivos.
– Desde que nasceste todos impingem ideiais sobre quem ser e o que seguir.
– O futuro recebe louvores.
– “Não basta ser quem sou, falta alguma coisa. Tenho de chegar a outro
ponto, outro que não este”.
– Não se deve mimar uma criança. Deve-se ajudar a construir uma sólida
aceitação e respeito por si própria.
– Tu não és responsável por que és, és um produto da Natureza.
– O condicionamento funciona como uma distracção, uma utilização errada
da vontade natural de crescer.
– Não nasces como árvore mas sim como semente.
– Cada ser deve tornar-se uma celebração em si. Não se trata de competição,
nem comparação.
– O condicionamento produz um complexo de inferioridade porque incute a
obrigação de ser superior a todas as outras pessoas.
– A natureza é sempre individualista.
– A riqueza é uma qualidade do ser.
– A tua cabeça / mente foi torcida de muitas formas e por muitas pessoas.
– Ser autêntico é ser realizado e sentir a importância e o significado da vida.
– A vontade natural de crescer, evoluir, não é negativa, mas tem sido
apontada aos objectivos errados.
– Escuta o teu coração! Dentro de ti há um guia!
– “Tuição”: aprendizagem feita por intermédio de terceiros.
– “Intuição”: aprendizagem feita a partir de dentro, da nossa própria
natureza.
– A realização só é atingida quando se tem prazer naquilo que se faz,
empregando toda a sua energia nisso.
A palavra “Ideal” é preversa
– Os ideiais levam à loucura.
– O “ideal” implica não ser aquilo que devemos ser.
– Cria tensão, ansiedade e angústia.
– Os ideias são impossíveis de alcançar.
– A condenação e a culpa são inerentes aos ideais.
– Livros de Lobsang Rampa
– Temos de nos aceitar tal como somos na realidade. Ser incompleto faz
parte da nossa perfeição.
– Sou perfeitamente imperfeito.
– A possibilidade apenas existe na imperfeição.
– A sociedade não existe, só existem indivíduos.
– Aquele capaz de gerar sentimento de culpa nas outras pessoas torna-se
poderoso.
– A salvação não está em nenhum sistema político. E não existe nenhum
salvador.
– Atravessamos neste momento um período socrático.
O perfeccionismo é origem de todas as neuroses
– Temos de nos livrar da ideia de perfeição.
– Estabelece-se níveis a atingir e, ao não alcançar esse objectivo, sentimonos culpados e pecadores.
– Mas o nível estabelecido é sempre inatingível. Se for atingível terá pouco
valor para o ego.
– Contradição do ego: “Só um ideal inatingível merece ser atingido”
– Restam duas alternativas:
1. Sentir-nos culpados. A culpa é um estado doentio. A culpa está enraizada
no conceito de perfeição.
2. Aceitar hipocritamente os objectivos definidos e fingir que alcançou o
ideal. Inicia-se uma vida de ilusões e alucinações, uma vida profana e vazia.
– A 1ª alternativa é pior que a 2ª.
– O homem culpado é simples, o fingidor é um vigarista.
– A inveja e o amor não podem coexistir.
– Nomes de celebridades da história não fazem parte do nosso inconsciente,
mas grandes nomes ligados à religião sim.
Não se preocupe com a perfeição
– Substituir a palavra “perfeição” por “plenitude”.
– Um homem que não se zanga nunca será capaz de amar.
– Um ódio fervoroso é bem melhor que um amor gélido.
– Depois da tempestade vem o silêncio do amor.
– Existe equilíbrio entre amor e ódio, raiva e paixão.
– Ao eliminar um desses perde-se o outro.
– Temos de aceitar a vida na sua totalidade.
– Existe um ritmo e existe uma polaridade.
3. O Sucesso
– A ambição é venenosa.
– Um pintor precisa de aplicar toda a sua energia no quadro, e o quadro
existe aqui e agora.
– O sucesso e a fama são absolutamente aleatórios.
– O sucesso é intrinsecamente bom, mas não devemos escolher o sucesso
como motivação.
– O nome e a fama são inerentes. O balanço final só depende da felicidade
com que se viveu cada momento.
Estamos a ser torturados pelo conceito de sucesso
– A busca de sucesso envolve competição e luta.
– Qualquer tipo de educação baseada na ambição acabará por transformar a
terra num inferno.
– Todas as pessoas sofrem de um complexo de inferioridade.
– A unicidade da cada individuo impossibilita qualquer comparação.
– E eu sou simplesmente eu. Não posso ser outra pessoa.
– Apenas preciso de ser criativo, amável, consciente e meditativo.
– Aquele que tem ambição é doente.
Sinto que sou uma pessoa especial
– Todos pensam isso.
– Poucos assumem de viva voz com medo dos outros se sentirem ofendidos.
– Acreditando que se é especial, superior e mais sábio, promove a formação
de um ego sólido.
– O ego é veneno puro
– Quem se considera especial é incapaz de amar porque nunca encontrará
outra pessoa especial.
– Pensar em relação aos outros o mesmo que pensamos sobre nós próprios.
– O ego é uma ilusão que resulta de um modo de pensar distinto quando
pensamos sobre nós e sobre outrem.
– Devemos rejeitar esta duplicidade de pensamento.
Travar o desejo de se tornar especial
– Já somos especiais, não precisamos de nos tornar.
– Todos são especiais, e todos são únicos.
– Ao tentar ser especial estamos a assumir que não o somos.
– A originalidade já existe dentro de nós, basta reconhecê-la.
– As tentativas de melhoramentos são renúncias em relação ao próprio ser.
– Não respeitamos o nosso próprio ser.
– Celebrar o facto de termos sido escolhidos para viver.
– Eu sou eu. Qualquer comparação resulta obrigatoriamente em conflito.
– A comparação dá azo à ambição e à imitação.
– É difícil encontrar alguém que se respeite porque fomos ensinados a imitar.
– Deus não gosta de repetir as suas criações porque ele é um criador.
– “Seja você mesmo, respeite o seu ser, o seu ser é uma dádiva de Deus.
Nunca imite”
– “Nunca imitar” (Osho)
– Somos especiais porque estamos sozinhos
– As cobras não têm patas mas estão bem como estão.
– Respeitar, aceitar e reconhecer.
4. A Mente
Qual a verdadeira natureza da mente
– A mente é um biocomputador.
– Quando nasce a criança não tem qualquer mente.
– O mecanismo da mente só é accionado aos 3 ou 4 anos.
– As raparigas possuem um biocomputador mais avançado e por isso falam
mais cedo.
– A mente precisa de ser alimentada com informação.
– Os primeiros anos de vida são um completo vazio.
– As crianças sentem alegria quando desenvolvem novos mecanismos e
reptem-nos exaustivamente.
– Uma palavra nova e depois construção de frases e perguntas.
– Por isso fazem muitas perguntas, não estão interessadas nas respostas, por
isso deve-se evitar respostas longas.
– Nesta sociedade o silêncio não compensa… As palavras compensam-se –
quanto mais articulado for o discurso melhor.
– A sociedade é dominada por pessoas verbalmente versáteis.
– A mente é um órgão que trabalha continuamente durante 70 ou 80 anos de
vida.
– Se conseguirmos educar a mente, tornar-se-á possível desligá-la, chama-se
meditação.
– Meditar possibilita:
1. Atingir a paz e silêncio e conhecer a nós mesmos.
2. A mente relaxa um pouco e acumula energia para funcionar de uma forma
mais racional e eficiente
– A meditação é vantajosa para o ser e para a mente.
– Conseguir travar a mente é dizer-lhe: “chega”. Está na hora de dormires
um pouco. Eu fico acordado, não te preocupes.
– Se a mente for usada apenas em caso de necessidade, fornecerá uma
resposta fresca, jovem e cheia de energia face a cada desafio.
– Tudo que fizer reflectirá uma enorme vivacidade, autoridade, honestidade e
sentido.
– Isso é carisma.
– Também é possível restituir à mente uma força incrível.
– A meditação é a religião essencial, e a única verdadeira.
– A meditação abre as portas dos 2 mundos: do outro mundo (do Divino e do
Sagrado) – e o mundo que todos conhecemos.
– Todos nascem com um determinado talento. Se não concretizar por
completo esse mesmo talento, sentirá sempre a falta de algo.
– A mente é um servente útil e imensamente poderoso quando ao serviço do
silêncio.
A mente é um pedinte que quer sempre mais
– A mente quer sempre mais porque está sempre vazia.
– Nenhuma escritura ou religião deste mundo aponta o humor como uma
qualidade religiosa.
– A paz e a mente são antagónicas.
– A mente nunca poderá ser pacificada.
– A mente é a fonte de todas as tensões, ansiedades e preocupações.
Para que serve a mente
– Os problemas aparecem quando a mente assume o controlo.
– A mente acaba por substituir o coração e o ser.
– A mente é o fenómeno mais evoluído de sempre da humanidade.
– Uma personalidade equilibrada tem em conta primeiro o ser, depois o
coração e depois a mente.
– A mente baseia-se na lógica.
– A mente esteve na origem de toda a tecnologia e ciência.
– O Homem é o único animal que ri.
– A seriedade é uma doença.
– O coração tem um valor superior.
– A mente não possui qualquer compaixão. O coração tem um valor superior.
– O trabalho é a menos importante de todas as actividades humanas.
– A vida precisa de algo mais que sobrevivência.
– A lógica é insípida, nada serve para as relações humanas.
– A mente está para a lógica, o coração para o amor e o ser para a
meditação.
– Procure o seu ser e a sua existência através da meditação.
– O amor é partilhar a sua felicidade.
– Para a mente, a casa é uma simples casa, para o coração é um lar e para o
ser é um templo.
– A mente serve o coração, o coração serve o ser e o ser integra uma massa
intelectual espalhada por todo o mundo.
A minha mente pertence-me ou foi-me implantada por terceiros?
– A mente é apenas uma projecção da sociedade.
– O cérebro é o mecanismo, a mente é a ideologia.
– A cada sociedade corresponde um tipo de mente.
– A mente não nos pertence.
– A mente é produto de um implante feito pela sociedade.
– Mentes implantadas servem interesses de quem as implanta.
– É como viver uma vida emprestada.
– Há métodos de meditação que nos podem libertar da mente.
– Mas antes precisamos de nos separar da mente.
– Repetindo muitas vezes uma mentira, tornar-se-á uma verdade.
– A nossa mente não é sofisticada, tem séculos de existência.
– A vida deve passada numa constante apreciação da liberdade.
5. A Identificação
A Identifição é o início do Ego
– Ao identificar-se com algo que não somos, damos início à origem do ego
– O ego é estar-se identificado com algo que não se é.
– Sempre que proclama “eu”, estamos a identificar-nos com algo.
– “Eu” significa identidade.
– A identidade é a base de toda a escravatura.
– A liberdade só existe perante a “não identificação”.
– Todos nascemos sem nome, mas o nome acaba por se tornar muito
importante.
– Defendemos esse nome, e até morremos por ele.
– Também nos identificamos com a nossa forma. Mas a forma muda
constantemente.
– De 7 em 7 anos o corpo muda completamente.
– Se não nos identificamos com nada – nome ou forma – onde fica o ego?
Somos e depois não somos.
– Por isso Buda se referiu ao ser como não-ser.
A Aceitação
– Nós não somos uma mente, nem o lado negro nem o lado luminoso.
– Se nos identificar exclusivamente com a mente bela é impossível dissociar
da parte negra.
– Nunca se pode dividir a mente, apenas ter como um todo ou abandonar
como um todo.
– A ansiedade do Homem resulta de querer escolher a parte bonita da
mente.
– Escolher é ansiedade, é arranjar problemas.
– Deixando de escolher as preocupações desaparecem.
– Somos um observador identificado com tudo aquilo que achamos agradável
na mente – mas a parte desagradável surgirá como uma sombra.
– A mente é apenas uma representação.
– A função de um mestre perante um discípulo é fazer a distinção entre a
mente e a consciência.
– A mente não existe sem a dualidade. A consciência é una, a mente é dua.
– Observa a mente como quem vê um filme.
– A identificação é a causa primordial de toda a tristeza.
– Põe-te de parte e deixa a mente passar.
O Medo
– Todos os receios são sub-produtos da identificação.
– Nós chegamos sozinhos a este mundo!
– O medo faz parte da mente. A mente é cobarde porque não tem qualquer
substância.
– A mente receia que um dia fiquemos conscientes.
– Por isso a mente desvia as pessoas da meditação e de estados de
consciência e contemplação.
– A mente receia tudo que possa resultar num maior nível de consciência.
– A mente é uma prisão. A consciência consiste em sair dessa prisão.
6. O Poder
O Verdadeiro Poder
– As pessoas regem-se pela busca do poder. Essa sede de poder manifestase quase sempre de uma forma inconsciente.
– A sede de poder é a maior doença que alguma vez afectou o Homem.
– Os vários sistemas educativos, as religiões, as culturas e sociedades são
plenamente a favor desta doença.
– Todos querem que o seu filho se torne o maior homem da humanidade.
– A sede de poder resulta do vazio dentro das pessoas.
– Um homem que não se rege pela luta do poder é um homem realizado,
satisfeito e sobretudo resignado à sua condição.
– Existem 2 caminhos possíveis: o da sede de poder e o caminho da
dissolução.
– O poder é doentio e hediondo.
– A ideia de exercer poder implica a humilhação e a destruição da
individualidade de outrem.
– Existe um poder que nada tem a ver com domínio sobre terceiros.
– É como o poder que brota de nós tal como uma pétala que se abre para
que seja libertado o perfume.
– Mas este poder deverá ser designado de outra forma: amor, compaixão
e/ou paz.
– A palavra poder é uma palavra contaminada.
– Se você exerce poder sobre si próprio, se se tortura, não existe ninguém
que o possa defender.
– O poder tem estado nas mãos de pessoas violentas.
– Aqueles que são violentos para com terceiros são mais espontâneos do que
aqueles que são violentos com eles próprios.
– A conquista através do poder pode ser dolorosa – ser esmagado pela
enorme e violenta competição.
– A melhor solução é render-se a si mesmo, na busca de um poder próprio
que não tem nos outros uma referência. Um poder independente.
– Dominar a si mesmo é um exercício a que muitas pessoas costumam
chamar disciplina.
– Precisa de encontrar a origem da sua sede de poder.
– Essa sede nasce no imenso vazio que sente dentro de si, do complexo de
inferioridade que o afecta.
– Temos de mergulhar nesse vazio, mas temos evitado constantemente esse
vazio.
– O vazio e o nada são palavras há muito condenadas.
– Nirvana significa “não-ser”.
– O mundo é dominado por pessoas que se sentem absolutamente inferiores,
e tentam disfarçar recorrendo ao poder.
– As pessoas vulgares ficam intrigadas perante o poder.
– O poder é um exercício fútil. Ele não altera nada dentro de nós.
– Temos de redireccionar a atenção da mente para a meditação e os
pensamentos para o silêncio.
A Força de Vontade
– A força de vontade é vista como uma grande qualidade
– Todas as crianças são educadas para desenvolverem uma sólida força de
vontade.
– Mas a força de vontade contraria a espontaneidade.
– O rio limita-se a fluir, sem competir com outros rios, despreocupado – a
acção inerte.
– A força de vontade foi utilizada para impor uma falsa personalidade.
– Alfred Ad…? : todos os problemas do homem derivam da força de vontade.
– Todos querem ser alguém, ser especiais, chegar mais longe…
– Quanto mais lutar e mais bem sucedido, mais se afasta do próprio ser.
– A tensão e as preocupações crescem. Há agonia constante – o receio de
falhar.
– Quem vive para alcançar algo, nunca viverá em paz.
– Não temos consciência da nossa riqueza interior.
A utilização incorrecta do Poder
– O poder quando aparece apresenta-se como uma oportunidade para
satisfazer todos os desejos recalcados.
– O poder não corrompe, nós somos corruptos.
– A utilização do poder só é incorrecta porque muitos dos nossos desejos são
hediondos.
– O poder é uma força neutra.
– A Humanidade deve compreender as suas raízes psicológicas.
– Não é possível tirar o poder às pessoas: alguém terá de ser a mãe, o pai, o
professor.
– Solução: limpar o inconsciente através da meditação.
O Poder e as Mulheres
– As mulheres gostam de aparecer atraentes. É uma estratégia política,
porque lhes dá poder.
– As pessoas gastam toda a vida a tentar alcançar o máximo de poder.
– Desejamos dinheiro porque o dinheiro dá poder.
– As pessoas procuram o poder de maneiras diferentes.
– As mulheres procuram o poder através do corpo.
– A mulher actual não procura tanto o poder através da aparência.
– Porque hoje em dia disputa outras formas de poder: académico,
profissional, político…
– O poder é a capacidade de manipular os outros, mas quando alguém é
manipulado, perde todo o seu poder.
– Se as mulheres demonstrassem o seu interesse pelo sexo, o seu poder
reduziria ou desapareceria.
– O amor vê-se reduzido a um exercício político de poder.
– Todas as pessoas são profundamente dignas e não merecem ser reduzidas
a mera mercadoria: todos são divinos.
7. A Política
Introdução
– Todos fomos programados para ser ambiciosos.
– Política é sempre que se engendra um esquema.
O Poder, o Homem e a Mulher
– O homem sempre tentou implementar estratégias políticas sobre a mulher.
– Tenta implementar a noção de que as mulheres são inferiores ao homem.
– As mulheres convenceram-se disso.
– Mulheres e homens são duas categorias da Humanidade distintas,
incomparáveis.
– Tornar a mulher inferior foi a única forma de prender e escravizar a mulher.
– Justificações para sustentar a inferioridade feminina:
1. Mulheres são menos fortes
2. São mais baixas
3. Não contribuíram para a filosofia ou teologia
4. Não contribuiram para o meio das artes plásticas ou musicais
5. Não fundaram qualquer movimento religioso
– Facilemente se convence uma mulher da sua inferioridade perante estes
argumentos.
– Estes argumentos são enganadores pois ocultam outras realidades dignas
de comparação:
1. A mulher pode dar à luz, o homem é incapaz
2. O papel do homem na concepção de uma criança é momentâneo
3. A mulher carrega a criança 9 meses e dá à luz, uma experiência de
contornos terminais
4. A mulher participa activamente na educação da criança
– Antigamente as mulheres estavam constantemente grávidas, cuidando das
crianças e ainda da casa:
1. A mulher foi impedida de colaborar nas tarefas fisicamente exigentes
2. Gradualmente levou a uma regressão muscular
3. Está provado clinicamente que a mulher é mais resistente que o homem
4. Adoecem menos e vivem em média mais 5 anos
– Por isso a sociedade decidiu que o marido deve ser mais velho 4 ou 5 anos
na vã tentaiva de demonstrar superioridade
– Em muitas culturas a mulher não podia voltar a casar, obrigando-a a uma
viuvez de mais ou menos 10 anos.
– A mulher adoece menos e é mais resistentes.
– A taxa de suicídio é 50% menor nas mulheres.
– O mesmo rácio a doenças mentais.
– A mulher enfrenta os problemas com maior frontalidade.
Os padres e os políticos
– Ambos condicionam as gerações seguintes.
– Criam a sociedade e moldam a mente e o seu condicionamento.
– As crianças chegam ao mundo sem qualquer ambição, sem desejo de
poder, ou mania de superioridade.
– Os padres, políticos, pais, sociedade, educação, moldam as crianças.
– Quando chegar a vez dessas crianças, elas também prejudicarão a
descendência vindoura.
– É um ciclo vicioso.
– Os padres e políticos são os pontos onde se pode quebrar este ciclo.
– Os padres e políticos são têm pés de barro, são vuilneráveis.
– As nações e religiões foram inventadas pelos padres e políticos.
– Sem nações e religiões nascerá um mundo novo, sem guerras
desnecessárias.
– Há necessidade de abolir a conspiração entre a religião e a política.
– A solução é mudar quem tem poder, e não o indivíduo comum.
Sobre a Política
– A politica conduziu ao sofrimento.
– A politica é completamente desnecessaria e ultrapassada.
– É necessário um governo mundial, mas meramente funcional, sem
necessidade de prestígio.
– As nações têm de desaparecer.
– Os indivíduos devem decidir individualmente.
– Os partidos politicos são desnecessários e arruinam a democracia.
– Todos os partidos têm interesses ocultos.
– A única fórmula: um mundo novo.
8. A violência
Todos os ditadores são criados por nós
– Porque queremos ter alguém que nos diga o que devemos fazer.
– Isso porque descartamos responsabilidades pelo que fazemos.
– Mas perdendo a responsabilidade também perdemos a individualidade e
liberdade.
– Ao passar a nossa responsabilidade a terceiros perdemos a alma.
– Há pessoas que gostam de dominar, ditar regras: são loucos com o
objectivo do poder.
A violência
– O homem é um dilema porque é uma dualidade.
– O homem não é um ser uno: é o passado e o futuro ao mesmo tempo.
– Se o homem vive a olhar para o passado, é um animal. Por isso é que para
a comunidade científica o homem não passa de um animal.
– A religião pasma-se em possibilidades, algo que ainda não aconteceu. A
religião é visionária, baseia-se me sonhos, anseia o que não aconteceu: a
flor.
– Só um verdadeiro sonhador pode antever o que ainda não aconteceu.
– O conflito entre ciência e religião é fútil: são diferentes nas direcções que
apontam, nos métodos e nos campos.
– A ciência reduz tudo à origem; a religião é a ponte com o objectivo final.
– O homem só conseguirá alcançar a paz de 2 maneiras:
1. Regride para a forma animal.
2. Crescer rumo ao divino.
– Solução Animal
– Volta a ser uno sem qualquer divisão.
– Por isso muitas pessoas tentam comportar-se como animais de diversas
maneiras: a guerra p.e.
– Por isso o crime e o suicídio exercem tanto magnetismo.
– A violência e o sangue são recordações do passado animal.
– A sexualidade também é atraente porque se pode tornar uno.
– O resto do tempo continuamos divididos em 2, com ansiedade e angústia.
– Violência, drogas e sexo são auxiliares e permitem regressar à condição
animal.
– Mas nenhum tem efeitos permanentes.
– Lei fundamental: nada volta atrás.
– Solução Divina
– A única solução está em crescer rumo ao divino.
– Concretizar o potencial em realidade.
– A homem pode ser Deus, e só assim será feliz.
– O que fazer com a herança animal? Reprimir não é a solução.
– A herança animal tem uma energia imensa.
– A herança animal é a nossa base, a nossa fundação.
– Nascemos na condição de animal e não diferimos dos restantes animais.
– A mudança qualitativa acontece quando o homem se torna absolutamente
consciente.
Como se alcança o patamar divino
– Os mantras tentam ocupar a mente, abstrair o animal, mas ele continuará
a existir.
– O animal não se deixa enganar e sabe como nos manipular.
– As pessoas religiosas acumulam mais raiva e são muito mais perversas a
nível sexual.
– Isto porque reprimem essas energias.
– Para conhecer um homem é preciso conhecer os seus sonhos e não como
vive enquanto está acordado.
– O dia-a-dia do homem é uma farsa.
– A vida real baseia-se na naturalidade dos sonhos – os sonhos não são alvo
de repressões.
– A psicanálise penetra na honestidade dos sonhos em detrimento da
mentira da vida.
– Durante o sono, o consciente adormece e dá lugar ao inconsciente.
– O inconsciente é a verdadeira mente, visto que o consciente só representa
1 décimo (1/10)
– 9 vezes maior, 9 vezes mais poderoso.
– Luta-se contra a sexualidade, raiva e ganância e atira-se para o
inconsciente.
– Atira-se para a cave, para não as ver, mas não nos livramos delas.
– Tudo que é reprimido acaba por estabelecer raízes sólidas.
– Isto começa a afectar as nossas acções de 1 forma muito súbtil que nem
nos apercebemos.
– Surgem de forma súbtil, torturosa e enganadora, envergando máscaras.
– A energia que nos move é distribuida por diferentes canais, porque
nenhuma energia pode ser reprimida.
– A energia pode ser transformada, mas nunca reprimida.
– A verdadeira religião baseia-se na alquimia, em técnicas e métodos de
transformação. Visa a purificação e não a repressão.
– Devemos usar o animal para alcançar o divino.
– O animal pode ser um veículo muito poderoso, porque o animal é poder.
– O sexo pode-nos levar às portas de Deus.
– Reprimir a sexualidade acumula cada vez mais raiva.
– Quando o sexo é reprimido, a pessoa torna-se violenta – violenta em
relação a outrem ou a si mesma.
– Por isso os soldados são proibidos de ter relações sexuais, de forma a
acumular raiva suficiente para combaterem.
– O mesmo acontece com os atletas desportivos.
– O amor e guerra não podem existir simultaneamente.
– A repressão não é a solução: a transformação é a solução.
– O que é natural é bom.
– Ser culpado ou sentir culpa é profano.
– Você é um produto de Deus, um produto da existência.
– O sexo não é uma invenção sua: é uma oferta de Deus.
9. A Terapia
O abraço é terapêutico
– O homem precisa de sentir que é importante, é uma necessidade humana
fundamental.
– Quem não recebe amor começa a morrer.
– O amor é a maior terapia que existe.
– O mundo precisa de terapia porque carece de amor.
– O abraço é uma manifestação de amor.
– O amor restitui cada um à sua infância.
– O corpo precisa de alimento, a alma precisa de amor.
– As crianças precisam de ser abraçadas.
– Ser sustentado é diferente de ser acompanhado.
– O amor é a nossa ligação, a nossa raíz mestra.
– A respiração está para o corpo, tal como o amor está para a alma.
– É frente a frente que cresce o amor entre duas pessoas, levando qo
crescimento da intimidade.
– Por isso é melhor fazer amor com luz, nem que seja uma luz ténue de uma
vela.
– Os animais não sentem amor no acto sexual porque não se observam
mutuamente.
– A psicanálise não é uma ciência, é uma arte muito mais próxima do amor
que da lógica.
– O verdadeiro psicanalista não evita o envolvimento com a existência do
paciente, assumindo esse risco.
– Ao envolver-se no mundo do paciente deve-se assumir a condição de
participante e não observador.
– Para tal é necessário não temer o nosso nível inconsciente e ter já iniciado
a solução dos nossos problemas.
– “Só uma pessoa desperta e iluminada pode ser um verdadeiro terapeuta”.
– A diferença entre terapeuta-paciente e mestre-discípulo é que os últimos
entram em fusão, tornam-se uma unidade em que ambos beneficiam.
– A criança nunca morre – nada morre.
– A criança continua a existir embrulhada na adolescência, na juventude, na
meia-idade e na velhice.
– Somos como uma cebola.
– O contacto com a criança dentro de nós é terapêutico.
– O abraço estabelece um contacto com a criança dentro de nós.
– A análise é o método da mente… (pág. 153)
– As pessoas insistem nos problemas.
– Viver sem problemas é difícil porque eles funcionam como distração e
ocupam a cabeça.
– O centro existencial é inócuo, um imenso nada, shungam, um vazio.
– Temos medo desse vazio e os problemas ajudam a sobreviver.
– As pessoas criam problemas para evitar a essência do ser.
– Todos os problemas são falsos!
– Habituamo-nos à companhia dos dilemas e não conseguimos viver sem
eles.
– Investimos seriamente na tristeza.
– Quando um problema é resolvido, o verdadeiro problema surge logo
através de um outro dilema.
A neurose
– A neurose quase se tornou o estado normal da mente humana.
– No passado a mente não era bombardeada com tanta informação em
simultâneo.
– A mente moderna está em sobrecarga constante.
– A mente é um dos mecanismos mais subtis e delicados que existem.
– O equilíbrio está em 50% acção e 50% inacção – 50% pensamento e 50%
meditação.
– A meditação assimila tudo o que é enriquecedor, e rejeita, elimina, o que
não tem interesse.
– 1. A ausência de aprendizagem é uma neurose.
– 2. Parar de crescer é neurótico.
– As pessoas são cada vez mais neuróticas porque insistem nos becos sem
saída.
– Um homem sábio abandona tudo, o imbecil é teimoso e casmurro (??)
– Devemos estar sempre em constante processo de aprendizagem.
– Há 600 anos o estimulo sensorial recebido por uma pessoa em 6 semanas é
o equivalente ao recebido diariamente hoje.
– A pressão para dinamizar a aprendizagem cresceu 40 vezes.
– Hoje existe muito mais para aprender, um mundo em constante evolução –
é um grande desafio.
– Temos de criar deliberadamente espaços vazios.
– Hoje nunca se pode parar de aprender, a vida muda a cada dia.
– A aprendizagem tornou-se um processo puramente vitalício.
– A meditação afasta a memória, o pensamento e a imaginação, esvaziando
a consciência.
– Os estudantes não podem depender dos professores e as crianças não
podem depender dos pais.
– Nos dias de hoje, ninguém pode parar de aprender, e o ritmo tem
tendência a aumentar.
– 1º Não pare de aprender; 2º Precisamos de tempo para relaxar (meditar).
– O sono também deixou de servir como escapatória.
– Relaxarimplica não receber informação.
– A música não tem lingua nenhuma, é som no seu estado puro.
– A neurose é um desequilíbrio mental resultante dum excesso de actividade
face à inexistência de inactividade.
– Deveriamos proporcionar 50% Yang e 50% Yin. Assumir como um
Ardhanarishwar: meio homem, meio mulher.
– Taoistas: wei-wu-wei, acção através da inacção – o encontro entre yin e
yang, anima e animus.
A loucura
– Existem 2 tipos de loucura.
1º tipo de loucura: Consiste na falência do raciocínio da mente.
– O psiquiatra moderno apenas tem conhecimento deste tipo.
– A loucura é uma forma de esquecer a realidade e escapar para um mundo
próprio e subjectivo, imaginário.
– É como um sonho de olhos abertos.
– O raciocínio da mente cede lugar a um registo animal e inconsciente.
– Várias formas de loucura temporária: álcool, drogas, etc…
– Os problemas só afligem a mente racional.
– A mente só conhece problemas e ignora a existência de soluções.
– A loucura é um processo induzido que serve para evitar problemas,
realidades, ansiedades e situações de tensão.
– Muitas pessoas optam pelo álcool ou drogas, outras, menos corajosas,
acabam por adoecer.
– Tudo isto são formas de proteger o ego.
– Ninguém o pode curar de si.
– As doenças são uma estratégia para evitarmos a realidade e obtermos
desculpas para o fracasso.
– A loucura é precisamente o último recurso.
– O tipo de loucura que os psicólogos conhecem é o desmonoramento da
racionalidade, a passagem para um nível mais inconsciente.
– Só 1 décimo da nossa mente é consciente – somos um iceberg.
– Há uma certa integridade na inconsciência absoluta. Os loucossão de certa
forma íntegros e coerentes – são pessoas unas.
– O louco é consistente porque possui uma única mente: o inconsciente.
– Os loucos parecem crianças e são incapazes de mentir.
– Os loucos transmitem uma certa união e comunhão, são unos e não
divididos.
– No entanto são unos na sua realidade e ilusão.
– A loucura é uma crença profunda.
2º tipo de loucura: Consiste em transpor a mente racional.
– A 1ª loucura fica aquém das capacidades, as 2ª loucura para por as
ultrapassar.
– Em ambos os casos, a mente racional é perdida: uma leva à
conconsciência, a outra conduz a um estado de superconsciência.
– Ambos simbolizam o fim da mente comum.
– “Buda” significa estar absolutamente consciente, uma consistência que faz
parecer como um louco.
– O louco acredita, o “Buda” confia.
– O louco e o Buda abandonam a razão, o raciocínio e a mente.
– A psicologia moderna será uma doutrina incompleta enquanto não estudar
os Budas.
– “Psicologia” significa a ciência da alma, mas esta doutrina ainda não se
afirmou como tal.
– Há duas opções: diminuir-se ou superar-se!
O sistema de Psicanálise
– Nenhum problema relacionado com o ego pode ser resolvido sem que o
ego seja previamente transcendido.
– A psicanálise pode melhorar a eficiência de um homem na sociedade.
– Sempre que um problema é adiado ou contornado, surge outro problema.
– A Psicanálise oferece um alívio exclusivamente temporário.
– Testemunhar um problema é ter nas mãos metade da solução.
– A existência dos problemas deve-se à falta de clareza e compreensão na
altura de os enfrentar.
– O problema é sempre produto de uma mente que não compreende.
– É preciso criar condições para que a compreensão de um problema se
desenvolva.
– Quanto mais desenvolvida a compreensão – clareza – mais fácil será
analisar o problema, como algo exterior a nós.
– A meditação cria esse distanciamento, e também altera o nível de
consciência.
– Todos sabemos dar bons conselhos para a resolução de problemas dos
outros. Conseguimos ser sensatos.
– Isto porque consegue-se manter a distância necessária para observar o
prblema imparcialmente.
– Estamos tão presos aos problemas que não os conseguimos contemplar,
testemunhar ou decifrar.
– A Psicanálise cria dependência.
– Um problema resolvido por outra pessoa não resulta numa maior
maturidade de nossa parte.
– A Psicanálise favorece uma orientação imatura.
– Os Psicanalistas são incapazes de resolver os seus próprios problemas.
– O Homem pode transcender-se, não é incurável.
– A minimização da consciência significa uma maximização dos problemas e
vice-versa.
– A consciência total leva ao desaparecimento dos problemas.
– Os problemas são infinitos e nunca se resolve realmente os problemas.
– Resolve o Homem e esquece os problemas.
– A divisão existe mas é um efeito e não uma causa.
– Tratar um problema psicológico é garantir o surgimento de outro.
– O criador dos problemas percisa de ser alterado.
– Nós apreciamos os nossos problemas, por isso os criamos.
– A Humanidade está doente.
– O amor é uma necessidade tão básica quanto a alimentação.
– Atenção é energia.
– Se a criança não recebe a atenção devida acabará por se tornar um criador
de problemas.
– O corpo cresce com alimento e a alma cresce com amor.
– A meditação é crescimento, não se ocupa dos problemas, ocupa-se do ser.
10. A meditação
Introdução
– Ausência de pensamento é meditação.
-Dentro de nós também existe um céu.
– Darshan = Observação
– Através da observação alcança-se gradualmente a paz, o vazio e a
ausência do pensamento.
– Os pensamentos e a consciência desperta (??)
– Se testemunhar, o ego deixará de existir.
– A morte do “eu” corresponde à aquisição do ser.
– O método de testemunhar só conduz à libetação se for praticado dia e
noite, de forma contínua.
A reflexão, a concentração e a meditação
– Não há qualquer relação entre reflexão, concentração e meditação.
– A reflexão sugere uma certa concelentração, a meditação é o oposto.
– A mente comporta-se como uma multidão.
– Para pensar de uma forma científica, racional, tem de se concentrar no
objecto de estudo.
– É necessário investir toda a energia no objecto, para conhecer a verdade
objectiva.
– Por isso, a concentração é o método de todas as ciências.
– A meditação não advém da mente.
– Meditar é transcender a mente e respectivas limitações.
– A concentração é o método da mente e a meditação é a negação da mente.
– O ocidente não conhece a meditação.
– O mundo ocidental perdeu o silêncio interior e a paz da iluminação.
– A reflexão pode revelar segredos do mundo exterior.
– A meditação revela o segredo da subjectividade do ser.
– A concentração é objectiva, a meditação é subjectiva.
– A concentração passa por um afastamento, a medita meditação implica a
aproximação ao centro do ser.
– O raciocínio nunca leva a nada no mundo interior.
– Para conhecer o ser basta o silêncio. O lago da mente nunca está calmo.
– O auto-conhecimento é um passo para ser você mesmo.
– A mente moderna é a mais perturbada de sempre porque o homem atingiu
a maturidade.
– A dúvida só existe por acção do homem, os animais e àrvores/plantas não
têm dúvidas nem ansiedades.
– A mente representa o sono, quer esteja concentrada ou distraída.
– A meditação significa o acordar.
– Observar a mente faz reconhecer que não somos a mente.
– Depois de ultrapassar o caos da mente, alcançamos o silêncio do coração.
A arte da meditação está em transcender a mente
– Meditação significa observar a mente, ser testemunha da mente.
– A meditação consiste em observar esse trânsito de pensamentos, à medida
que vai desaparecendo.
– O coração nunca foi poluido pela sociedade.
– O coração é seu amigo, a cabeça é sua inimiga.
– A meditação significa consciência – não pensar em nada, não se concentrar
em nada, não contemplar nada.
– A meditação é ums consciência reflexiva e o seu papel consiste em
observar o que se coloca à sua frente.
– Todos mestres tentam oferecer uma vida renovada aos seus discípulos.
– Actualmente não estou verdadeiramente vivo, limito-me a vegetar.
– A meditação é o único milagre que existe.
A meditação não é mais do que um instrumento
– A meditação serve para nos consciencializar relativamente ao verdadeiro
eu.
– O verdadeiro eu é o ser que não é criado por mim porque sempre existiu.
– Este ser precisa de ser descoberto, mas pode ser inviabilizado pela
sociedade.
– Nenhuma sociedade permite isso porque o verdadeiro ser é perigoso.
– A meditação ajuda a desenvolver a capacidade intuitiva.
– O significado da palavra “indivíduo” é que todas as pessoas são únicas.
11. A meditação
Porque razão tenho tanto medo do amor?
– O amor gera receio porque o amor é uma morte.
– O amor é a morte da mente em que o corpo sobrevive.
– Para a amar temos de abandonar todas as concepções sobre nós mesmos.
– O ego impede o amor.
– O ego e o amor são antagónicos.
– É impossível viver sem amor, por isso a humanidade inventou um truque:
viver um amor falseado para o ego persistir.
– O verdadeiro amor é extremamente caro, só o podemos comprar ao aceitar
a sua perdição.
– O ego não é substancial, é como o fumo ou como o sonho.
– O amor exige que deixemos tudo o que nunca tivemos, e em troca oferece
tudo o que temos e sempre tivemos.
– O amor revela o verdadeiro ser.
– A coragem do nosso ser só é verdadeiramente testada quando nos
deparamos com o amor.
Porque é que o amor é tão doloroso?
– Porque abre o caminho para a felicidade, e porque transforma e implica
uma mutação.
– Todas as transformações são dolorosas.
– O velho é familiar e conhecido, enquanto o novo éabsolutamente
desconhecido.
– O amor implica mergulhar num oceano profundo.
– A mente só funciona com o que é velho.
– A transformação implica a passagem de um estado de ser para um estado
de não-ser.
– Para o ouro ser purificado, tem de se submeter primeiro às chamas. O amor
é fogo.
– Milhões de pessoas optam por viver uma vida sem amor.
– Sofrer sem amor é fútil, um desperdício absoluto que nao leva a lado
nenhum: um círculo vicioso.
– O amor é fundamental para o conhecimento próprio.
– A relaçao é um espelho.
– O amor exige que nos exponhamos, nos tornemos vulneráveis.
– Temos de assumir o risco e viver perigosamente.
– O reflexo do parceiro(a) pode ser feio. Evitar o espelho não vai ajudar a
crescer. Temos ed aceitar o desafio.
– O amor é primeiro passo rumo a Deus, e não pode ser ignorado.
– O amor é o ceú aberto. Amar é como voar.
– Abandonar o ego é doloroso porque ensinaram-nos a cultivar o ego.
– A sociedade baseia-se na noção que cada pessoa é uma pessoa e não uma
presença.
– O amor é uma escada que começa numa pessoa e acaba na totalidade
absoluta.
– O amor é o princípio e Deus é o fim.
– O homem moderno vive enclausurado na cela escura do narcisismo.
– Existem problemas criativos que levam a uma elevação do nível de
consciência.
– E existem problemas que se limitam a prender a pessoa a um estado de
confusão interna.
– O amor cria problemas criativos. É preciso enfrentá-los, vivê-los e
ultrapassá-los.
– Se não nos envolvermos no amor ficamos presos em nós mesmos.
– O amor requer níveis de coragem que não se encontra no homem actual.
– Daí o interesse generalizado no sexo, porque o sexo não envolve risco, é
momentâneo e não implica envolvimento profundo.
– O amor pode resultar num envolvimento para toda a vida, mas para tal
requer intimidade.
A diferença entre o amor-próprio saudável e o orgulho egoísta
– São bastantes diferentes.
– Quem não se amar a si próprio nunca será capaz de amar outra pessoa.
– A primeira onda de amor tem de se formar no seu coração.
– Cada pessoa precisa de amar o seu corpo e a sua alma. Precisa de amar a
sua totalidade.
– Quem se ama faz tudo para desenvolver o seu potencial.
– Na vida não há espaço para a neutralidade.
– A vida é uma escolha constante: escolha o amor.
– Uma pessoa que se odeia acaba por se tornar destrutiva, e acaba por odiar
as outras pessoas.
12. A ausência de ego
12.1 Distinguir o ego do verdadeiro eu
– O ego não pode ser simplesmente abandonado.
– A escuridão não existe – é a ausência de luz.
– Não se pode agir directamente contra a escuridão. Resta agir sobre a luz –
ligar ou desligar a luz.
– A meditação funciona como a luz, a meditação é luz.
– A vontade de eliminar o ego é de novo uma manifestação do ego.
– Tente encontrar o ego dentro de si. Não o vai encontrar.
12.2 A resignação e o ego
– Antes de abandonar o ego precisamos de o ter.
– Só os frutos maduros caem no solo.
– Um ego verde não pode ser colhido, não pode ser destruído.
– Para ser abandonado o ego deve crescer até cima, tem de ter atingido a
integridade.
– O ego fraco nunca poderá ser eliminado.
– No Oriente todas as pessoas apregoam a eliminação do ego.
– Assim o ego nunca adquire a força e integridade necessárias.
– No Ocidente as pessoas são encorajadas em fortalecer o ego.
– Só um homem rico pode ser pobre (e vice-versa).
– Sempre que existe ambição, existe pobreza.
– Todos os mestres apregoaram à inutilidade do conhecimento.
– Depois de adquirir bastante conhecimento, poder-se-á eliminá-lo
alcançando a ignorância.
– A sabedoria só reflecte vida quando resulta de experiências imediatas e
pessoais.
– A memória é um conhecimento morto.
– A contradição é inerente à vida.
– O máximo desenvolvimento do ego representa a máxima desenvoltura de
experiências infernais.
– O verdadeiro conhecimento só pode ser adquirido através do sofrimento.
– É impossível convencer alguém a abandonar o ego.
– Tudo precisa de um tempo para se desenvolver, amadurecer e cair no solo
e se decompor.
– O ego é um meio de sobrevivência.
– A criança cresce através do crescimento do ego.
– 1º Passo: assumir e egoísmo absoluto e perfeito
2º Passo: abandonar o ego.
– O mundo está cheio de centros, cada átomo constitui um centro e a
periferia não existe.
– Se pensa que pode abandonar o ego, você é o ego.
– O desaparecimento do ego é algo que acontece, não é algo que se faça.
– O ego é um sonho que é constituído em torno de nós. Um sonho necessário
que não deve ser condenado.
– Na vida, tudo é necessário. Tudo que aconteceu tinha de acontecer.
– Os pecadores têm maior facilidade em abandonar o ego que os santos.
– A mente segue sempre pela via lógica, mas a vida é completamente
ilógica.
– A mente é lógica e a vida é dialéctica.
12.3 A meditação requer trablho árduo
– O esforço aplica-se em situações que queremos concretizar um
determinado desejo para o qual desconhecemos alternativas viáveis.
– O esforço é uma acção orientada para um resultado futuro.
– Mestres Zen: é preciso recorrer ao esforço sem esforço.
– O trabalho árduo é necessário, mas não deve visar um objectivo futuro.
– Apreciar o trabalho sem pensar em objectivos, esta é a tarefa mais árdua
para a mente humana.
– O mais difícil é fazer algo pela acção em si.
– A mente é sempre gananciosa.
– Dedicar algumas horas diárias a fazer coisas pelas coisas em si.
– A mente é preguiçosa, gosta de sonhar, mas dispensa o trabalho.
– A mente só se debruça no futuro, para poder evitar os desafios presentes.
– A meditação implica trabalho árduo porque implica contrariar a mente.
– A mente é fascista, e está sempre à procura de líderes.
– A aprendizagem da mente não tem utilidade, é superficial, persistindo a
infantilidade.
– O intelecto é superficial.
– Devemos desenvolver o nosso ser.
– Os dias das nações e raças terminaram. Estão a chegar os dias do
indivíduo.
– A mente é infantil e traiçoeira.
– As pessoas que acumulam incertezas no seu ser sentem admiração por
pessoas confiantes.
– Só pessoas conscientes e despertas hesitam.
– A hesitação reflecte a consciência e a complexidade da vida.
– Abandonar a mente é o trabalho mais árduo.
13. A iluminação
A iluminação transcende a natureza sãs coisas?
– A iluminação é a própria natureza das coisas.
– As mentes das pessoas têm sido corrompidas com a criação de um objecto
antinatural.
– A natureza das coisas está onde você está.
– A mente alimenta-se de grandes dificuldades, ou até mesmo de
impossibilidades.
– Por isso a mente só se sentirá saciada e especial se alcançar o impossível.
– Não é possível transcender a natureza.
– Os verdadeiros corruptos são aqueles que inventaram o seguidismo.
– Seguir alguém é um absurdo contra nós mesmos.
– Nunca contrariar a nossa própria natureza.
– A coisa certa não pode ser definida por qualquer escritura.
– Encontre a alegria em si e ficará iluminado.
– Bodhidharma: “não é possível fugir à iluminação”
– Vivemos num Mundo perfeito em que nada falta.
– À parte das pessoas, tudi na existência está como deve estar.
– Nunca aceite:
1. um critério que o deixe infeliz.
2. uma imoralidade que o faça sentir culpado.
3. nada que se oponha à sua própria natureza.
– Seja você próprio e será perfeito.
– Todas as crianças aprendem a ser loucas.
– Uma pessoa saudável acaba sempre por ser odiada.
– O ciúme é uma forma diluída de ódio.
A iluminação requer um espaço e uma altura especial para
acontecer?
– Todos os espaços transbordam divindade.
– Não existem especificamente locais sagradas.
– A iluminação não acontece, não é acontecimento, é um reconhecimento.
– Basta permitir que a iluminação aconteça, é uma questão de permissão e
não de espaço ou altura.
– A iluminação pode ocorrer em qualquer altura e em qualquer lugar
– A iluminação está sempre disponível, porque ela não é exterior.
– Quando os pensamentos desaparecem, a iluminação surge de dentro.
O medo da iluminação
– Existem vários medos e não um único.
– Se quer viver iluminado tem de se submeter a uma morte psicológica.
– Passamos a identificar-nos com algo que não somos, a mente e o ego.
– Existem camadas e camadas de condicionamentos impostos por outras
pessoas.
– Existe um grande número de pessoas entre o seu verdadeiro eu e o seu
falso eu.
– Os nossos pais fizeram de nós uns hipócritas, mas foi com boas intenções.
– A sua personalidade substituiu a sua individualidade.
– O passado é um conjunto de recordações emprestadas.
– Temos de nos libertar do passado na sua totalidade. Depois é natural
sentir-nos perdidos. A partir desse momento podemos partir à descoberta.
– Vamos à descoberta num território novo, por isso surge naturalmente o
medo.
– A iluminação é morte da personalidade para que a individualidade
reprimida possa crescer e desabrochar.
– O ego não pode ser iluminado, tal como a escuridão não se pode tornar
luminosa.
– Podemos ser iluminados, mas não podemos desejá-lo. A iluminação não
deve ser alvo de desejo.
– Então o que se deve fazer? Comece por descascar as suas camadas.
– Quando se descascam todas as camadas encontra-se o vazio, a iluminação.
– Desejar a iluminação é acrescentar uma nova camada.
– Você veio para este mundo para ser iluminado.
– Para alcançar a iluminação temos de mudar.
– Sempre que se deparar com um medo, contrarie-o!
– A iluminação não é algo que lhe seja acrescentado. A iluminação é o seu
estado de completa unicidade.
14. A Vulgaridade
14.1 Ser iluminado é o fenómeno mais vulgar que existe
– Você cria muitos obstáculos. Primeiro ergue os obstáculos para depois os
derrubar. Faz isto para se sentir superior.
– Não existe nenhum obstáculo! Mas o ego não fica satisfeito com a ausência
de obstáculos.
– Baste ser simples e inocente para que toda a existência se abra perante
nós.
– A realidade está sempre aberta. Você está fechado e a sua mente está
ocupada.
– O nirvana não nada de especial.
– A mente anseia por algo especial, por isso cria céus e paraísos.
– A noção de “especial” é o que nos faz ficar parados, movendo-nos entre
desejos.
– Mas esse tipo de movimento não é progressivo, é circular.
– A iluminação pode acontecer imediatamente, desde que o desejo de a
atingir não esteja presente.
– Ser vulgar é maravilhoso. A vulgaridade leva ao desaparecimento da
tensão e da angústia.
– Ser vulgar é ser misterioso, devido à simplicidade inerente.
– Para mim a meditação é uma diversão ou um jogo. Para si a meditação é
um trabalho.
– O trabalho está orientado para um determinado fim, e não é suficiente só
por si. Em si é insignificante.
– A diversão não tem qualquer objectivo. A diversão é o objectivo em si. A
diversão não tem um propósito.
– Por isso é que só as crianças sabem brincar. Com o envelhecimento as
pessoas começam a exigir um propósito e uma razão para se divertirem.
– O trabalho é tempo, a diversão é intemporal.
– A meditação deve ser um divertimento, não deve ser orientada para um
determinado fim.
– Sem desejo o tempo desaparece: você vai passando de um momento de
eternidade para outro.
14.2 O que é a inocência? Ser inocente implica viver uma vida
simples?
– A inocência é um estado de consciência sem pensamento – ausência de
mente.
– Parar de lutar e começar a fluir com a vida.
– A mente resiste porque o ego desenvolve-se através dessa luta.
– A mente deve a sua existência ao ego.
– Se o ego desaparecer a mente enganadora também desaparecerá.
– Viver do passado é viver uma vida de reacção.
– A superioridade só pode ser provada através da mentira, porque a
existência não conhece seres inferiores ou superiores.
– A pessoa inocente renuncia à luta e não está interessada em ser superior
ou provar que é especial.
– A inocência é o desaparecimento de “eu”.
– As pessoas perdem-se em imitações. Um imitador não pode ser simples.
– A inocência não tem qualquer objectivo. Se tiver algum objectivo, nunca
conseguirá ser inocente. Terá de ser esperto, matreiro e manipulador.
– Pare com todas as imitações.
– A vida dá voltas inesperadas, não adiantam preparações antecipadas.
– A simplicidade é um subproduto da inocência. Não tente ser simples! A
simplicidade não pode ser cultivada.
– O seu futuro é a projecção do seu passado.
– Viva o momento, o Agora!
– Heraclito: “É impossível entrar duas vezes no mesmo rio”.
– Não é preciso ter muitas posses para se ser possessivo.
– Uma pessoa simples é aquela que não é possessiva, e nunca olha para trás.
– Viver momento a momento é ser inocente.
14.3 As qualidades de uma pessoa madura
– Uma pessoa madura tem uma determinada presença mas não é uma
pessoa.
– Uma pessoa madura é como uma criança simples e inocente.
– A maturidade confere uma certa sensação de experiência e de velhice.
– A maturidade não é só a experiência acumulada ao longo da vida.
– A maturidade está relacionada com a viagem interior.
– Quanto mais uma pessoa se aprofunda mais madura se torna.
– Maturidade é outra designação possível para realização.
– No Ocidente refere-se à maturidade como a perda da inocência.
– A maturidade confere vulnerabilidade, suavidade e simplicidade.
15. A Liberdade
15.1 O homem é o único ser da Terra que tem liberdade
– Os animais e plantas não têm liberdade de escolha.
– Não têm qualquer possibilidade de transformação.
– Todos os animais nascem para cumprir um determinado programa.
– O homem não é apenas livre, o homem é liberdade.
– O homem quando nasce é uma tábua rasa.
– A liberdade é o centro essencial do homem, a sua alma despida.
– Sem liberdade o homem é um pedinte, fica perdido.
– Aceitar o destino, o fatalismo, é ingressar numa vida de escravidão.
– O sannyas é a aceitação da liberdade.
– As pessoas têm medo de ser livres porque a liberdade é um risco.
– Perante a existência, é responsável por quem é e pelo que é.
– Ambos referem que o homem é condicionado por forças exteriores, ou pela
História ou por Deus.
– Você é total e incondicionalmente livre.
– Não evite a sua responsabilidade e comece a criar o seu ser.
– A criatividade é a verdadeira oração, a única que permite participar com
Deus.
– Não basta ser espectador, temos de ser participativos para experimentar o
mistério de Deus.
– As pessoas receiam a liberdade porque:
1. é arriscado porque você é o único responsável.
2. a liberdade pode ser mal utilizada porque você pode optar erradamente.
– A liberdade implica optar entre o certo e o errado.
– O perigo, que provoca o medo, resulta do facto de o caminho errado ser o
mais fácil de tomar.
– Escolher o erro é tão fácil como descer um monte.
– Se quiser desenvolver a sua consciência terá de subir a montanha, até aos
picos mais altos.
– Quanto mais alto se chega, maior é o perigo de queda.
– É muito mais fácil vaguear numa planície sem o perigo das alturas.
– A liberdade dá oportunidade de descer abaixo do nível dos animais ou subir
acima do nível dos anjos.
– A liberdade é uma escada: uma ponta assenta no inferno e outra ponta no
céu.
– Na verdade a Natureza é quem cumpre o destino dos animais, estes não
precisam de fazer nada. Não têm qualquer desafio.
– Só o homem enfrenta o grande desafio. São poucas as pessoas que
resolvem arriscar.
– A melhor forma de não arriscar é acreditar que a liberdade não existe.
– O mundo está num estado caótico porque as pessoas gozam da maior
liberdade alguma vez gozada em toda a história da humanidade.
– Onde há liberdade há caos.
– O homem não é uma entidade, é uma ponte entre o animal e Deus.
15.2 A mente vulgar atira sempre a responsabilidade para outra
pessoa
– No momento que atira as responsabilidades sobre algo para outra pessoa,
perde a capacidade de fazer algo.
– “Sou responsável por mim mesmo. Ninguém é responsável por mim”.
– Atisha: “Condense toda a culpa numa só entidade”.
– Sutra: “Sinta-se grato com todas as pessoas”. Sinta-se grato com tudo.
15.3 O que é ser livre de desejos?
– Viver sem desejos conduz à morte. O desejo é a energia da vida.
– Ser livre de desejos é o desejo não ser obsessivo.
– Você não é livre quando o desejo o persegue mesmo quando se quer livrar
dele.
– Os desejos dominam-no e você é uma vítima.
– Um novo desejo espreita a cada esquina, perante isto enlouquece.
– Os desejos puxam-nos em várias direcções, quebrando-nos em vários
fragmentos.
– E esses desejos são contraditórios, para além de fragmentados.
– A humildade é uma pretensão do ego.
– Os desejos destroem a sua integridade e põe fim à sua condição de
indivíduo.
– Ser livre de desejos é a total ausência de desejo. Esta acção que o obriga a
cortar completamente com a sua vida. Todo e qualquer desejo deve ser
eliminado.
– A opção certa é ser totalmente livre do desejo, para que possa escolher
entre ter ou não ter um desejo.
15.4 O amor-próprio e a egomania
– A diferença é subtil.
– A egomania leva a uma tristeza crescente.
– A egomania é uma doença, o cancro da alma.
– A egomania deixa-o tenso e preocupado impedindo o relaxamento.
– No amor-próprio não existe um ser, só existe amor.
– O amor-próprio leva-o a sentir-se cada vez mais relaxado.
– O amor-próprio conduz ao relaxamento. Amar outra pessoa pode criar
tensão.
– A outra pessoa é um mundo à parte.
– Só quem desenvolve um amor-próprio profundo pode amar outras pessoas.
– Primeiro o amor precisa de ocorrer dentro de si, para que depois se possa
espalhar na direcção de outras pessoas.
– Você não pode partilhar algo que não tem.
– O primeiro passo básico do amor consiste em sentir amor-próprio.
– O “eu” e o “teu” só existem juntos.
– O “eu” pode existir em duas dimensões: o “eu-isto” e o “eu-tu”.
– O “eu isto” consiste em você-a sua casa, você-o seu carro, você-o seu
dinheiro.
– Este “eu-isto” é praticamente um objecto. Não é consciente, é um eu
adormecido.
– Você transforma-se naquilo que ama. O amor é alquímico.
– Não ame as coisas erradas porque vai transformar-se nelas.
– O “eu-tu” cresce quando se ama outra pessoa. Se você ama uma pessoa,
você transforma-se numa pessoa.
– No amor-próprio não há espaço para o “isto” e para o “tu”. O “eu”
desaparece.
– O “eu” é a figura, e o “isto” e o “tu” o campo em que ele se desloca.
– Quando o ego desaparece, você passa a permitir que os outros sejam eles
próprios, oferecendo-lhes total liberdade.
– O ego é uma prisão, para si e para a sua vítima.
– Mas o ego pode enganá-lo. É astuto e move-se subtilmente: pode disfarçarse de amor-próprio.
– O ego é bastante enganador e encontrou justificações e raciocínios para o
apoiar em todas as circunstâncias.
– O seu verdadeiro ser é transcendental, não é “eu” nem “tu”.
– Quando todos os rótulos são removidos, a única coisa que sobra é o
verdadeiro eu, e o verdadeiro ser é tanto seu como dos outros.
– Não existe nenhum “eu” nem “tu”, existe algo, alguém, alguma energia –
sem limitações e sem fronteiras.
– De lá viemos e para aí voltamos… para desaparecer.

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