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A Divina Comédia: Dante Alighieri PDF

31 de agosto de 2021
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ÍNDICE

A Divina Comédia propõe que a Terra está no meio de uma sucessão de círculos concêntricos que formam a Esfera armilar e o meridiano onde é Jerusalém hoje, seria o lugar atingido por Lúcifer ao cair das esferas mais superiores e que fez da Terra Santa o Portal do Inferno.

Portanto o Inferno, responderia pela depressão do Mar Morto, onde todas as águas convergem, e o Paraíso e o Purgatório seriam os segmentos dos círculos concêntricos que juntos respondem pela mecânica celeste e os cenários comentados por Dante, num poema envolvendo todos os personagens bíblicos do Antigo ao Novo Testamento, que são costumeiramente encontrados nas entranhas do Inferno sendo que os personagens principais da Divina Comédia são o próprio autor, Dante Alighieri, que realiza uma jornada espiritual pelos três reinos do além-túmulo, e seu guia e mentor nessa empreitada, Virgílio – o próprio autor da Eneida.

A Divina Comédia é basicamente a história da conversão de um pecador ao caminho de Deus. Os versos sublinham a necessidade de se seguir o caminho do bem e da ética. O protagonista é o símbolo do ser humano vulgar e representa o cidadão comum, que tem dúvidas, hesita, é tentado pelo mal.

Qual a ordem de leitura da Divina Comédia?

A Divina Comédia é dividida em três partes, Inferno, Purgatório e Paraíso.

Cada uma de suas partes está dividida em cantos, compostos de tercetos.

E Qual o final? Como Termina a Divina Comédia de Dante?

A terceira e última parte da Divina Comédia é formada por 33 cantos. Quando chegam ao final da trajetória, Virgílio, seu guia e mentor, não pode entrar pois era pagão. Assim, o local do poeta romano é o inferno. No paraíso Dante reencontra seu grande amor, Beatriz.


 

123 Verdades que eu, sincero, proferira.
Jubiloso nos braços me levava, E, depois que apertara-me ao seu peito, 126 Por onde descendera, se tornava.
Sempre cingido desse abraço estreito, Do arco ao cimo transportou-me o Guia: 129 Caminho à quinta cava era direito.
Ali suavemente me descia Em rochedo tão ingreme e empinado, Que às cabras invio ser me parecia,
133 De lá foi-me outro val descortinado.
1. Simão Mago queria comprar dos Apóstolos a virtude de chamar o Espírito Santo. O mercado das coisas sagradas é, por isso, chamado simonia. — 17. São João, pia na qual Dante foi batizado. — 53. Bonifácio, Bonifácio VIII, que o danado (Nicolau III) pensa seja vindo para substituí-lo. — 83. Pastor sem lei, Clemente V, ligado a Filipe, o Belo, rei de França e que mudou a sede do papado para Avinhão. – 85. Jasão, que comprou o sumo sacerdócio de Antioco, rei da Síria. — 106. O Evangelista, S. João. – 115-117. Constantino, no tempo de Dante se acreditava que Constantino, ao mudar-se para Bizâncio, teria doado ao papa Roma e o domínio temporal.

 

CANTO XX
No quarto compartimento são punidos os impostores que se dedicaram à arte divinatória. Eles têm o rosto e o pescoço voltados para as costas, pelo que são obrigados a caminhar ao reverso. Virgilio mostra a Dante alguns entre os mais famosos, entre os quais a tebana Manto, da qual se origina Mântua, cidade natal de Virgilio.
NOVA pena convém dizer em versos E dar matéria ao meu vinteno canto, 3 Do cântico onde punem-se os perversos.
Eu era já disposto tanto, quanto Fora preciso para ver o fundo 6 Da cava, que banhava amargo pranto.
De almas vi turba, pelo val rotundo, Que taciturna vinha e lacrimosa 9 Ao passo usado em procissões no mundo.
Mirei mais baixo e cada desditosa Notei que fora o mento retorcido 12 Do colo ao começar: cousa espantosa!
Para o dorso era o rosto seu volvido: Só recuando caminhar podia;

 

“Manto, a virgem selvage ali passando, Terreno viu desabitado, inculto 84 Naquele pantanal, que o está cercando
“Esquiva a humano trato e estranho vulto, Fez ali de suas artes oficina 87 E viveu té sofrer da morte o insulto.
“Povo, ao diante, para ali se inclina, Em torno esparso, e abrigo, o julga forte: 90 De águas cercado com pauis confina.
“Onde aqui o elegeu colhera a morte, A cidade erigiram, que chamaram 93 Mântua, do nome seu sem tirar sorte.
“Os habitantes lá mais avultaram, Quando ainda os ardis de Pinamonte 96 De Casalodis a insânia não fraudaram.
“Ciente fica, pois: se de outra fonte A pátria minha originar quiserem, 99 A mentira à verdade nunca afronte”. —
— “As cousas, que tuas vozes me referem, Tão certas são” — disse eu — “que me parece 102 Carvão extinto o que outros me disserem.
“Mais dize, ó Mestre: acaso não merece

Teorias sobre a influência da filosofia islâmica:

Em 1919, Miguel Asín Palacios, um estudioso espanhol e sacerdote católico, publicou La Escatología musulmana en la Divina Comedia (Escatologia Islâmica na Divina Comédia), um relato de paralelos entre a filosofia islâmica inicial e a Divina Comédia. Palacios argumentou que Dante derivou muitas características e episódios sobre o além a partir dos escritos espirituais de Ibn Arabi e do Isra e Mi’raj ou a jornada noturna de Maomé para o céu. Este último é descrito no ahadith e no Kitab al Miraj (traduzido para o latim em 1264 ou pouco antes[10] como Liber Scalae Machometi, “O Livro da Escada de Maomé”), e tem semelhanças significativas com o Paradiso, como as sete partes da divisão do Paraíso, embora isso não seja exclusivo do Kitab al Miraj ou da cosmologia islâmica.[11]

Algumas “semelhanças superficiais”[12] da Divina Comédia ao Resalat Al-Ghufran ou Epístola do Perdão de Al-Ma’arri também foram mencionadas neste debate. O Resalat Al-Ghufran descreve a jornada do poeta nos reinos da vida após a morte e inclui o diálogo com as pessoas no Céu e Inferno, embora, ao contrário do Kitab al Miraj, haja pouca descrição desses locais[13], e é improvável que Dante fez empréstimo deste trabalho.[14][15]

Dante, no entanto, viveu em uma Europa de substancial contato literário e filosófico com o mundo muçulmano, encorajado por fatores como o averroísmo (“Averrois, che’l gran comento feo” Commedia, Inferno, IV, 144, significando “Averróis, que escreveu o grande comentário”) e o patrocínio de Alfonso X de Castela. Dos doze sábios que Dante encontra no canto X do Paradiso, Tomás de Aquino e, mais ainda, Siger de Brabante foram fortemente influenciado pelos comentaristas árabes sobre Aristóteles.[16] O misticismo cristão medieval também compartilhava a influência neoplatônica dos sufis, como Ibn Arabi. O filósofo Frederick Copleston argumentou em 1950 que o respeitoso tratamento de Dante a Averróis, Avicena e Siger de Brabante indica seu reconhecimento de uma “considerável dívida” para com a filosofia islâmica.[16]

Embora essa influência filosófica seja geralmente reconhecida, muitos acadêmicos não ficaram satisfeitos com o fato de Dante ter sido influenciado pelo Kitab al Miraj. O orientalista do século XX Francesco Gabrieli expressou ceticismo em relação às alegadas semelhanças, e à falta de evidência de um veículo através do qual poderiam ter sido transmitidas a Dante. Mesmo assim, enquanto rejeitava a probabilidade de algumas influências postuladas no trabalho de Palacios,[17] Gabrieli admitiu que era “pelo menos possível, se não provável, que Dante pudesse ter conhecido o Liber Scalae e tirado dele certas imagens e conceitos da escatologia muçulmana”. Pouco antes de sua morte, a filóloga italiana Maria Corti assinalou que, durante sua estada na corte de Alfonso X, o mentor de Dante, Brunetto Latini, conheceu Bonaventura de Siena, um toscano que traduziu o Kitab al Miraj do árabe para o latim. Corti especula que Brunetto pode ter fornecido uma cópia dessa obra a Dante.[18] René Guénon, um convertido sufi e estudioso de Ibn Arabi, rejeitou em O Esoterismo de Dante a teoria de sua influência (direta ou indireta) sobre Dante.[19] A teoria de Palacios de que Dante foi influenciado por Ibn Arabi foi satirizada pelo acadêmico turco Orhan Pamuk em seu romance O Livro Negro.[20]

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